Underneath The Mirror

*Capítulo único*

Meu nome é Gabriela Lithalf, tenho 25 anos, sou de classe media alta, tenho 2 irmãos mais velhos. Cada um tem sua vida do jeito que escolheu, são casados com as mulheres que eles amam. Quem vê minha vida pensa que eu tenho a família perfeita, o noivo perfeito, amigos vida perfeitos, é de dar inveja a muitos que não convive possa entender, enfim tudo é perfeito nos olhos dos outros. Mas não é bem assim que as coisas acontecem! Meus irmãos costumam ser como os meus pais, gostam de palpitar e decidir tudo sobre minha vida. Vou contar em poucas palavras como é minha vidinha medíocre.

Sempre fiz tudo que meus pais acharam ser bom pra mim, nunca os decepcionei, sempre fui certa, tenho os amigos que meus pais escolheram pra mim…Na verdade sempre fui influenciada por eles, sempre fui o que eles gostariam que fosse, nunca tive opinião própria, sinto vergonha de não poder me expressar e sinto até vergonha de assumir isso. Eu não sou o que eu realmente sou quando estou com eles, ou com quem eles escolheram para serem meus amigos. Até noivo eu não pude opinar, fui logo jogada nos braços dele.

Só tenho um amigo pra quem eu realmente consigo mostrar quem eu realmente sou, e meus pais acho que nunca vão imaginar que o conheço há 11 anos. Ele é um rapaz famoso, nos conhecemos no programa de TV que meu pai trabalhava, e desde quando o conheci ficamos amigos. Taylor Hanson é a única pessoa que eu consigo mostrar quem eu realmente sou! Ele era de verdade meu melhor amigo. Nós nunca podemos mostrar que conversamos, não porque ele não podia, mas porque EU não podia. Tinha medo da reação da minha família. Talvez seria proibida a nossa amizade pelo simples fato de eu escolher quem seria meu amigo, então resolvi deixar nossa amizade ser secreta por muitos anos.

Eu trabalho com meu pai no programa Encontre com seu ídolo. Sou repórter. Estou seguindo a carreira do meu pai. Ele disse que eu seria uma ótima jornalista. Estudei 4 anos da minha vida jornalismo sem nem ao menos ter vontade! Levantava cedo, ia pra faculdade e quando chegava lá, via a turma de dança entrando na sala…Dança é o meu sonho! O único que sabe disso é o Taylor. Ele é integrante da banda Hanson como Isaac e o Zac também. Eu não sou tão amiga deles mas até que eles são pessoas legais e eu os adoro. Taylor se casou há alguns anos e desse casamento teve um lindo menino, o George, de 3 anos…Lindo como o pai! Há mais ou menos 8 meses, ele se divorciou. Diz ele que seu casamento desgastou e o melhor foi cada um seguir seu rumo. Eu não acreditei muito na história dele mas fazer o que?

Eu, desde quando conheci Taylor, me apaixonei. Foi amor a primeira vista! Ele pegou meu telefone e daí começamos a conversar. Como era incrível estar com ele, conversar com ele…Nossa amizade foi ficando cada vez mais forte e eu percebi que o que ele sentia por mim era somente um carinho de amigo. Quando completei meus 19 anos conheci o Kevin, o chefe do meu pai. Ele tinha apenas 22 anos e era dono do programa. Meu pai fez questão de apresentá-lo pra mim, queria muito que eu e ele ficássemos juntos e foi o que aconteceu. Como Kevin gostou de mim, começamos a namorar. Eu nunca consegui gostar dele. Simplesmente fiz o que minha família tanto queria! Depois disso, Taylor se casou dizendo apaixonado pela esposa. “Infelizmente”, não pude ir ao casamento. Isso fez com que Taylor e eu tivéssemos uma briga e nos afastássemos, pois ele ficara chateado comigo, mas eu preferi não ter assistido o cara que eu sempre amei ia casar com outra. Eu não ia conseguir vê-lo no altar. Esse foi o dia mais triste da minha vida! Fiquei imaginando ele se casando. Este dia eu fiquei muito mau! Chorei o dia inteiro, não sai do quarto. Depois de alguns meses Taylor me procurou e reatamos a amizade. Voltamos a nos falar mais do que já havíamos nos falado antes. Parece que quando a gente briga e depois voltamos volta tudo melhor do que já era. Eu sempre fui prioridade em sua vida, quando quisesse falar com ele era só ligar que ele corria pra me ver!

Nós tivemos um jantar para comemorar mais um ano do programa de TV e, nesta comemoração, nem meu pai e nem ninguém da minha família iria. Convidei Taylor e família para irem. Foi o dia mais complicado que eu e Taylor vivemos pois eu não conhecia sua esposa e nem ele a Kevin. Esse dia foi tão estranho! Lembro como se fosse hoje…

Oii, você veio! – disse puxando Kevin para perto de mim e me aproximando mais de Taylor. Ao me aproximar mais, vi sua esposa atrás com um rapaz que eu já conhecia em seu colo. Cumprimentei Taylor com um beijo tímido, dei um beijo em Rebecca e depois em George.

Taylor, esse é o Kevin! – eles deram um aperto de mão e Kevin me puxou para mesa onde estavam seus pais. Taylor e sua família vieram atrás da gente e sentaram-se conosco. Eu olhava Taylor e sua esposa que estavam tão distante um do outro e meu coração fez um nó. Senti que Taylor estava triste, os olhos diziam tudo! Ele me olhava e olhava para Kevin que nem ligava pra mim, e ele podia entender o por que de eu sempre reclamar da vida que eu levava! De repente Kevin se levantou fazendo todos do local olharem pra ele.

Eu não sou muito bom com as palavras! – ele virou pra mim que nem o olhar eu olhava, estava perdida nos olhares de Taylor sobre mim. Senti Kevin tocando minhas mãos, me virei para ele, e me levantei sem entender nada. Depois voltei a olhar para Taylor enquanto Kevin começava os seus discursos.

Não sei muito bem o que falar… – ele se virou pra mesa e continuou – Eu e a Gabi estamos a tantos anos juntos e eu acho que está na hora de juntar nossas vidas eternamente! – ele pôs a mão no bolso e tirou de dentro dele, uma caixinha preta. Eu ao ouvir isso virei meu rosto para olhar Kevin e ele levantou a caixinha para me mostrar – Quer casar comigo? – eu não fiz nada! Simplesmente olhei para Taylor. Este estava com os olhos marejados. Ele viu que eu o olhava sem entender e abaixou a cabeça. Logo se virou para a esposa e começou a brincar com o filho que estava no colo dela. Eu olhei para as pessoas que estavam quietas esperando minha resposta, abaixei a cabeça e respondi baixinho.

Aceito! – levantei a mão direita deixando Kevin colocar a aliança no meu dedo. Taylor primeiramente olhou pra mim. Eu pude sentir o peso do seu olhar em cima de mim. Continuei de cabeça baixa deixando que Kevin continuasse a colocar a aliança em meu dedo. Taylor se levantou após Kevin terminar. Rebecca se levantou também e foram embora sem se despedir. Eu e Kevin começamos a dançar. Eu os procurava por todos os cantos mas não via ninguém, nenhum rastro de Taylor e sua família. Simplesmente sumiram. Eu, com a cabeça apoiada sobre o ombro de Kevin, comecei a chorar de tristeza. Kevin reparou e comentou.

Não imaginava que um simples pedido de casamento te emocionaria tanto! – ele sorriu pra mim me fazendo sorrir amarelo. Preferi, como sempre, não comentar nada e nem protestar tais comentários. Sempre foi assim e parecia que nunca ia mudar.

Eu acabara de chegar do serviço super cansada querendo somente dormir, veio minha mãe e algumas pessoas atrás dela que eu não gostaria de saber quem eram. Estavam todos eufóricos, cheios de tecidos entre os braços. Logo notei quem eram. Fomos para o quarto e começaram a medir minha altura. Minha mãe escolheu meu vestido de noiva.

Eu sempre sonhei com esse modelo de vestido minha filha. Vai ser a noiva mais bela do ano! – ela disse empolgada, eu ao lado dela vendo a revista, não comentei nada como sempre fazia, simplesmente concordava.

Alguns meses depois, Taylor me informou que havia se divorciado. Ele não comentou ao certo o porque. Se ele não quis mencionar, eu não iria insistir! É algo que dizia respeito somente a ele e mais ninguém!

Eu experimentava o vestido pela ultima vez antes do casamento. Estava sozinha no salão de casa enquanto todos estavam eufóricos lá fora com a festa. Realmente estava muito bonita, eu me sentiria realmente linda se eu amasse o meu noivo. Na verdade eu estaria feliz se meu noivo fosse o Taylor! Ao pensar nele, imediatamente tirei o vestido e o deixei jogado, saindo correndo para o quarto me trancando lá dentro. Deitei-me sobre a cama e fiquei pensando sobre minha vida o que eu vivi dela? Nada, simplesmente nada! Não tenho uma história de verdade pra contar e nem uma diversão realmente que eu tenha vivido para comentar com alguém. Era uma vida certinha demais, sem objetivos, com muitos arrependimentos! Eu não tenho nenhuma história de verdade pra contar, somente tenho histórias dos meus pais para contar. Me levantei da cama, me troquei e sai madrugada correndo com o objetivo de fazer o que eu sempre quis pelo menos uma vez na vida. Peguei o carro sem ninguém perceber e comecei dirigir sem rumo. Precisava pensar antes de fazer qualquer coisa. Em menos de 24 horas seria meu casamento. Passei por um parque e resolvi parar ali. Vi num barzinho algumas pessoas se divertindo.

Eu nunca me diverti assim! – comecei a chorar. Me sentei no capo do carro e fiquei olhando as estrelas. Queria poder fazer pedidos para elas. Na verdade não precisava nem pedir, pois meu coração sempre disse o que ele queria, mas eu nunca fiz o que realmente eu desejava tanto. Respirei fundo, fiquei pensando, pensando, até que vi que tinha passado algumas horas que estava ali olhando para o céu e me sentindo sozinha como sempre me sentia. Pelo menos ali me sentia muito bem na companhia das estrelas. Levantei e comecei a caminhar. Entrei no parque meu salto fazia barulho mostrando o quanto estava deserto. Os tirei e fiquei segurando. Queria tanto conversar com ele, poder contar ou até mesmo fazer o que eu tanto queria. Na verdade só me faltava coragem! Tirei o celular do bolso e disquei o número sem pensar duas vezes.

Alô. – uma voz rouca do outro lado do telefone atende.

Desculpe, te acordei né? – falei abafado, mostrando o quão estava triste, minhas palavras não conseguiam sair direito.

Gabi não precisa pedir desculpa o que houve? – perguntou em um tom preocupado na voz.

Vem onde eu estou. – comecei a chorar – eu estou no South Park.

Eu chego em 15 minutos ai, fica calma ta? – ele disse em um tom de serenidade. Após desligar o telefone, sentei no banquinho de frente com o lago onde eu sempre gosto de ficar e esperei até que ele chegasse lá. Esperei por 20 minutos. Achei que ele não viria mais! Cruzei minhas pernas e apoiei meus braços sobre elas e deixei minhas lágrimas escorrerem pelo meu rosto sem eu querer atrapalhá-las. Ele tocou meu ombro esquerdo, eu levantei o meu olhar e o olhei. Me levantei correndo e o abracei. Ficamos muito tempo abraçados. Por mim teria ficado ali para sempre! Comecei beijar o pescoço dele em um gesto de carinho. Beijava com vontade só que sem maldade. Era um meio de agradecer por ele estar ali comigo. Eu senti que ele se arrepiou. Ia comentar algo sobre mas foi tarde demais…Ele já me beijava! Não consegui me controlar e me entreguei naquele beijo doce e molhado. Ele me abraçou forte. Foi um beijo longo. Eu não conseguia acreditar que ele estava me beijando, simplesmente deixei que ele me coordenasse, deixei ele me envolver em seus braços, separamos os lábios somente. Ele segurou minhas mãos, se virou e foi me guiando para seu carro. Eu não falei nada, simplesmente me deixei levar por ele. Entramos no carro. Antes que ele começasse a dirigir, ele me beijou. Um beijo intenso e cheio de amor. Naquele momento tive certeza que o amava. Na minha cabeça eu imaginava que ele somente queria me ajudar e me dar forças, mas com aquela atenção e aquele beijo cheio de amor tive certeza que estava sendo correspondida pelo mesmo sentimento. Meu coração não agüentava de tanta felicidade, não me lembrava de mais nada, se me perguntassem quem eu era naquele momento não me lembraria.

Chegamos no apartamento dele. Estava tudo escuro. Ele entrou, ascendendo o abajur. Eu fiquei parada na porta imaginando o que eu estava fazendo ali. Incrível! Nunca tinha me dado conta que nunca tinha conhecido o local em que ele morava. Ele se aproximou de mim e me beijou. Ficamos o tempo todo calados, ele não falava nada, simplesmente agia. Parecia que estava sendo comandado por alguém. Ele segurou minhas mãos e foi me puxando para dentro do apartamento e por fim ele falou.

Eu sei que não devia, mas meu amor não supera te ver infeliz dessa forma! – ele me abraçou e beijou minha testa, ficamos assim por algum tempo e eu resolvi me manifestar.

Eu quero você como nunca quis ninguém antes! – eu falei entre os braços dele. Saiu baixo ele quase não ouvindo, mas com o silêncio do local ele conseguiu entender.

Então eu serei seu! – ele, ao dizer, se distanciou de mim e olhou-me nos olhos que ainda teimavam em lacrimejar.

Será meu? – perguntei o olhando ainda nos olhos.

Como eu sempre fui! – ele por fim falou o que eu sempre quis ouvir.

Eu sei que sempre foi! – ele ergueu uma das sobrancelhas e eu continuei – sempre foi meu amigo e…. – ele depositou o dedo indicador sobre meus lábios me interrompendo.

Meu coração sempre foi seu! – e por fim ele me beijou, não deixando que eu continuasse. Ele voltou a me puxar, mas agora sentido a seu quarto. Eu me deixei levar. Meu coração este estava acelerado, parecia que ia sair pela boca de tanta emoção. Ao chegar no quarto deitamos juntos sobre a cama. Ele sobre mim, beijava-me os lábios, dos lábios para a bochecha e depois para o pescoço. Este ele beijou por mais tempo, me deixando arrepiada. Eu enlacei-o com as pernas, passei a puxar sua camisa, demonstrando a vontade que eu tava de tirá-la. Deslizei a mão no peitoral dele, comecei a desabotoar sua camisa lentamente. Ele parou por poucos instantes de beijar-me e tirou a camisa voltando a me olhar. Eu me ajeitei sobre a cama tirando minha roupa. Ele fez o mesmo e voltou a me beijar. Ficou sobre mim novamente e beijando-me pelo pescoço e delicadamente ele desceu os beijos para os meus seios, fazendo eu soltar alguns gemidos baixos. Eu com sensação de desejo e amor o puxava para mais perto de mim. Queria senti-lo, eu não agüentava mais esperá-lo por tanto tempo. Ele percebeu que eu o puxava o querendo pra mim. Lentamente começou a me penetrar enquanto beijava meus seios. Ele passou a acelerar a penetração não muito forte mas já delirava com esses movimentos. Deu algumas mordidas no bico do meus seios para conter a excitação e o gemido, mas não teve muito sucesso. Quando os movimentos estavam cada vez mais acelerados, eu não agüentava mais segurar os gemidos para dentro e começamos juntos, até chegar ao clímax.

Ele depositou o corpo cansado sobre mim e começou a acariciar os meus seios com a ponta dos dedos. Depois de alguns minutos em silêncio, ele se pronunciou e olhando nos meus olhos perguntou.

O que você pretende fazer? – ele passava a mão pelo meu cabelo o colocando atrás da orelha

Não sei, eu realmente não sei! – comecei a chorar novamente – eu simplesmente me esqueci da minha vida e vivi este momento.

E o que achou desse momento? – ele perguntou ainda sério

Que foi o momento mais feliz da minha vida! – abri um sorriso. Ele enxugou algumas lagrimas que teimavam em sair, me beijou ardentemente, após outros beijos ardentes, ele voltou a me olhar e perguntou.

O que sente por mim? – ele olhou nos meus olhos esperando a resposta.

Eu sinto por você o que eu não sinto e nunca senti por outra pessoa! Desde que te conheci você está aqui! – apontei para o meu coração e ele beijou logo em seguida este local.

Você largaria tudo por mim? – ele perguntou entre vários beijos que dava sobre o meu coração, ele estava feliz por ouvir o que ele queria.

Não sei Tay! – ao dizer isso ele me olhou sério e eu continuei – Se fosse necessário eu largar tudo para estar com você acho que sim, agora eu digo que sim, mas depois eu não sei…sempre desisto! – ao ouvir isso ele se levantou e começou a colocar suas roupas – O que está fazendo?

Vamos, vou te levar até o parque e você vai para sua casa! – disse abotoando a calça, eu me levantei e não falei nada. Ficamos quietos por todo o caminho até o parque. Ao chegar, antes de sair eu disse.

Eu te amo! – abri a porta do carro e sai, entrei no meu, quando eu olhei em direção de onde tinha parado o carro e ele já não estava mais lá. Cheguei em casa e entrei pelos fundos para que ninguém percebesse, subi para o meu quarto sentindo-me péssima. Agora que eu sabia que ele também me queria me deixou pior. O que eu tanto quis quando eu poderia ter, se tornara impossível, mas o que realmente era impossível pra mim?

Eu posso tomar decisões, eu posso ter uma vida com ele se é o que eu quero. Quer que eu abra mão de tudo por ele, mas que tudo que eu tenho sendo que nada da minha vida era realmente meu? Tudo era uma farsa, eu era uma farsa! Eu sou assim porque eu nunca falei realmente o que eu queria, deixei que as pessoas decidissem tudo para mim. Peguei no sono após pensar em tantas coisas. Estava feliz e decidida!

Quando acordei a primeira coisa que fiz, foi ligar para o celular de Taylor para falar da minha decisão. Este não me atendeu. Resmunguei um “droga”. Comecei a andar de um lado para o outro. Minha mãe bateu na porta e entrou, me falando a agenda do dia, saímos do quarto para que eu fizesse um café reforçado porque o dia seria longo, e eu mais uma vez deixei que me ordenassem o que eu devia fazer.

Eu passei o dia inteiro tentando ligar para o Taylor. Este não atendeu nenhuma das minhas ligações. Eu sabia que ele estava chateado. Me olhava no espelho pela ultima vez e com o telefone na mão enquanto tentava mais uma vez falar com ele, abaixei a cabeça e comecei a chorar. Minha mãe entrou e reparou que eu chorava.

Está emocionada minha filha? – ela disse chorando também.

Mãe quando você casou com o papai, você tinha certeza que o amava? – perguntei a olhando pelo espelho.

Sim minha filha. Porque esta pergunta? – ela ficou séria – O Kevin é o homem certo pra você! Ninguém tem duvida do quanto ele te ama.

Eu respirei fundo. Não adiantava falar nada eles nunca entenderiam, Meu pai entrou no quarto…era a hora!

Desci as escadas lentamente, às vezes fazia uma pausa entre um passo e outro. Meu pai me puxava para que eu fosse mais rápido. Começou a tocar a música de entrada. Eu olhei para todas as pessoas que estavam lá embaixo, todos amigos dos meus pais, dos meus irmãos, de Kevin, a imprensa estava lá, menos uma pessoa. A única pessoa que realmente me conhecia! Ali de 100 conhecia 2 ou três pessoas. Respirei fundo novamente e comecei a caminhar em direção ao altar. Kevin me esperava calmamente. Meu pai entregou minha mão a ele, antes que o fizesse, beijou minha testa e se virou ficando do lado da minha mãe. Kevin beijou minha mão e ficamos ajoelhados de frente para o altar. Eu fechei meus olhos. Tive uma sensação que eu deveria olhar para trás. Ao fazer, o vi perto da escada chorando. Ele não sentia vergonha de esconder tal sentimento, mas ao ver que eu o olhei, virou-se para ir embora. Eu respirei fundo e me levantei bruscamente gritando.

Chega! – comecei a puxar o laço do meu cabelo e jogar para o chão. Taylor, que estava de costa pra mim, parou alguns instantes e eu fiquei o olhando até que este se virou. – Eu deixei as coisas ficarem mais difíceis! Não consegui controlar! Pai e mãe, vocês são possessíveis! Eu não sou um objeto que vocês escolhem o que tem que fazer ou não. Eu não amo o Kevin! Nunca disse que o amava, nunca quis namorar com ele e sabe por que eu namorei com ele? Porque você pai queria que eu ficasse com ele! Já parou pra pensar no que eu quero? Vocês nunca me deixavam fazer o que eu queria, pois agora não vou ser mais infeliz do que já sou me casando com alguém que mal sabe sobre mim! – todos me olhavam assustado.

Porque me olham desse jeito? – eu disse girando em torno das pessoas que estavam ali – Eu não conheço vocês! Aqui não tem nenhum amigo de verdade! Aqui só tem pessoas interesseiras! Vocês podem querer que eu me case com ele, mas eu não vou, não vou! – meu pai se aproximou de mim

Filha, olha o que você está fazendo! – me segurou pelo braço me puxando para o altar, eu gritei.

Me larga! Eu não quero saber dessa família que não se importa com o que eu realmente quero! – caminhei até Taylor o segurei pelo braço e falei mais uma ultima coisa – Eu vou reconstruir minha vida. Na verdade, vou ter a vida que eu sempre quis pra mim e não a vida que vocês quiseram! Pai, se quer tanto um sucesso profissional, case-se o senhor com ele! – puxei Taylor de mãos dadas e saímos dali.

Entrei no carro dele. Ele entrou alguns segundos depois. Após dar a volta no carro e olhando pra mim.

Está certa do que quer? – ele perguntou em meio a um sorriso tímido.

Claro, não tenho duvidas do que eu mais quero agora! – disse e puxando o rosto dele para um beijo.

Você ia se casar se não tivesse reparado que eu estava ali! – ele ligou o carro e deu a partida. Após o carro sair, algumas pessoas que estavam dentro da casa começaram a sair também. Kevin começou a correr atrás do carro, mas logo o perdemos de vista quando nos distanciamos daquele local.

Tay, eu tentei te ligar mas você não me atendeu! – eu falei tirando as luvas

Eu sei, mas preferi vir ao te atender. – ele olhou para mim sorrindo – Estou orgulhoso de você sabia? – ele sorriu mais uma vez agora sem timidez. Eu o olhei e naquele instante tive a certeza que fiz a escolha certa.

Nos mudamos para Tulsa, eu e Taylor. Alguns meses depois, nos casamos. Senti que eu tinha uma família de verdade, comecei a trabalhar para o Hanson e comecei a fazer aula de dança. Estava muito feliz! Fiz novos amigos, Zac e Isaac são meus melhores amigos agora, já que Taylor não era só isso e sim meu marido e pai dos meus filhos. Não tive mais noticia da minha família biológica e nunca quis ter contatos com eles. Estava muito feliz! Parecia que nada me fazia falta. Algumas vezes eu pegava me perguntando que fim deu Kevin, meu pai, minha mãe e meus irmãos, mas era somente nisso que pensava. Não sentia nem um pingo de saudade deles. Realmente não tinha do que sentir falta. Eles pensavam e falavam o dia inteiro somente em dinheiro. Mas existem coisas na vida da gente que nos faz refletir e aprender em como agimos errados.

Alguns anos depois, estávamos em Londres. O Hanson estava em turnê e eu grávida de 6 meses. Estava com uma barriga enorme, parecia que estava grávida de gêmeos novamente. Eu caminhava pela rua com George, Brian e Camille meus filhos gêmeos. Entrei numa cafeteria muito bonita e aconchegante, fui até o balcão e sentei-me comecei a acariciar minha barriga imensa. George, que já tinha seus 7 anos, me ajudava a carregar as crianças. Eu tomava meu suco junto das crianças e comia um sanduíche calmamente. Alguém sentou ao meu lado. Eu não estranhei, mas senti um arrepio forte percorrer pelo corpo e olhei para o lado. Por alguns momentos perdi a respiração, este me olhou e sorriu.

Está linda! – ele disse

Obrigada! – comecei a arrumar as coisas e me levantar para ir embora. Deixei o dinheiro sobre o balcão e comecei a caminhar para sair da cafeteria.

Espera! – este correu para me alcançar e segurou meu braço.

O que você quer? – disse dando as mãos para Camille que segurava Brian e na outra mão George.

Eu te procurei tanto! – sorriu – Vejo que fez a escolha certa! – ele abaixou a cabeça.

Eu só consegui ser feliz! – disse séria para ele.

Eu e sua mãe te procuramos tanto, achamos que veio para Londres mas estávamos errado, nos mudamos para cá para te procurar. – ele abaixou a cabeça e começou a chorar – Eu queria que ela pudesse te ver como está linda! – ele enxugou as lagrimas mas outras teimavam em cair – Peço que vá nos visitar e possa nos perdoar! – ele pegou um cartão e entregou-me.

Você sabe que eu não vou! – disse tentando conter as lágrimas

Gabi nós nos arrependemos! Só queremos conquistar seu amor novamente. Você já nos ensinou a lição! – virou-se e foi embora.

Eu olhei o cartão e o guardei no bolso do meu sobretudo.

Cheguei no hotel e fui falar com Taylor sobre o ocorrido.

Já está na hora de você perdoá-los! – ele disse beijando minha barriga.

Eu sei, mas eu não consigo mais conviver com eles! – disse com lágrimas nos olhos.

Não precisa conviver, mas pode tentar amá-los e fazer ele ver o quanto você é mais do que eles imaginavam que eles queriam pra você! – pegou minha mão e beijou – Eu te amo e vou te apoiar na sua decisão está bem? – e sorriu.

Eu sei, e gostaria que você me acompanhasse! – ele, ao ouvir o que eu disse, sorriu satisfeito.

Então vamos agora! – ele se levantou e estendeu a mão para mim. Eu peguei sua mão para me levantar, arrumamos as crianças para irem visitar os novos avós. George também foi. É como um filho pra mim e não conseguia ficar longe dele. Enquanto Taylor dirigia, eu ficava mais tensa. Ele segurava vez ou outra a minha mão para me dar força. Ao chegarmos naquele endereço, ficamos diante da porta por alguns minutos. Taylor foi paciente e me segurou a mão. Eu o olhei e ele sorriu pra mim. Guiou minha mão até a campainha e por fim a tocamos juntos.

Escutei barulhos de passos se arrastando, se aproximando da porta. Ia me virar para sair, mas Taylor me impediu. Alguém abriu a porta. Eu, que estava de costas, pronta pra sair, me virei e vi meu pai. Quando me viu, me abraçou chorando. Ele, após o abraço, passou a mão pela minha barriga e a beijou sorrindo.

Entre, Amélia vai adorar vê-la! – disse sorrindo, fazendo-nos entrar. Logo que entramos, ele nos guiou para o 2º andar da casa. Era uma casa pequena, demonstrando o quanto eles tinham mudado. Era muito simples, sem muito luxo. Caminhamos lentamente podendo reparar cada detalhe daquele humilde lar. Ele abriu a porta e vi minha mãe deitada sobre a cama. No começo, achei que ela estava dormindo, reparei que o quarto estava todo fechado e pela claridade da porta vi aparelhos que ligados a ela. Eu, imediatamente, olhei para o meu pai.

Desde que você se foi, ela ficou muito doente! Nenhum medico conseguiu descobrir o que ela realmente tinha até que ela se entregou de vez quando chegamos aqui. Tivemos que desistir de te procurar. – após dizer ele me abraçou vendo que já chorava.

Pai… – eu simplesmente o abracei forte. O sentimento de culpa corroia meu coração. Taylor depositou sua mão sobre meu ombro mostrando que não era culpa minha. Ele me compreendia muito bem e sabia que eu ia me sentir assim. Senti alguém tocar minha mão. Eu olhei para ela e a vi de olhos abertos pra mim – Mãe! – falei entre soluços.

Minha filha! – começou a chorar e tentou esboçar um sorriso – você me perdoou?

Claro mãe! – peguei mais forte a mão dela – Agora eu to aqui para te ajudar mãe! – beijei-a na testa.

Você já está me ajudando! – ela sorriu.

Fiquei com meus pais o resto do dia, na companhia de Taylor e meus filhos. Foi uma tarde agradável, realmente pude notar o quanto eles estavam mudados e decidimos que ajudaria minha mãe em tudo que pudéssemos.

Voltando para o Hotel, estava me sentindo mais leve e feliz, não somente por ter reencontrado meus pais, mas por realmente saber o quanto eles haviam realmente mudado.

Taylor viu como ela melhorou depois que ficamos bastante tempo com ela? – eu disse sorrindo.

Eu vi, você fez bem pra ela! – ele olhou pra mim sorrindo – Na verdade, vocês fizeram bem pra ela! – disse olhando para o banco de trás e as crianças estavam dormindo no colo de George.

Ela gostou de você! – comentei sorrindo.

Claro que gostou, quem não gostaria? – sorriu pra mim e eu mostrei a língua pra ele – Olha que eu mordo essa língua!

Então morde! – disse o desafiando.

Você consegue ser incrível sabia? – ele perguntou parando o carro no farol, soltou o cinto e me beijou ardentemente – Eu te amo tanto sabia? – ele se afastou e voltou a por o cinto.

Eu ainda tenho algumas duvidas. – disse sorrindo, ele me olhou sorrindo.

Pois pare de duvidar pois você me encanta todos os dias! – ele falou olhando para o volante. Depois que estacionou o carro, ele saiu, caminhou até o lado do passageiro e abriu a porta pra mim. Eu lembro desses gestos dele desde quando ficamos juntos pela primeira vez. Ele nunca deixou de abrir a porta pra mim, nunca deixou de ser atencioso, realmente este sentimento dele não havia mudado nenhum momento e eu sempre tive a certeza que tinha feito a escolha certa pois cada vez mais feliz ao lado dele.

Eu te amo! – eu disse pegando a mão dele para sair do carro, sorrindo. Ele me abraçou por trás e disse algo em meus ouvidos, me fazendo arrepiar.

2 Meses se passaram e eu consegui fazer com que minha mãe melhorasse, não totalmente mas com certeza bem. Minha mãe e meu pai foram morar em Tulsa perto de mim, de Taylor e dos meus filhos. Eles queriam poder me ajudar e também matar a saudade depois de quase 4 anos afastado deles.

Happy birthday to You! – todos cantavam – Happy birthday to You, Happy birthday to Camille and Brian, Happy birthday to You!

Brian no colo de meu pai e Camille no colo de Taylor pois eu não agüentava mais segurar ninguém no colo.

Vamos filhos assoprem as velinhas! – Taylor pediu, e foi o que fizeram. Todos bateram palmas para as crianças que imediatamente se apossaram dos brigadeiros. Eu sentei-me no banquinho junto de Taylor, e meus pais do nosso lado, estava a família toda reunida, Zac e sua esposa, Ike e sua esposa com seu filho único, meus irmãos Bernardo e James com suas esposas e filhos que tinham entre 6 e 7 anos. Nunca imaginei ver minha família reunida e feliz de verdade! Passei a mão pela barriga imensa de 8, me sentindo um pouco cansada. Senti um liquido escorrer pela minhas pernas e uma dor imensa que parecia mais uma cólica. Segurei a mão de Taylor com força. Este olhou pra mim e reparou que estava ficando vermelha de dor.

Taylor …. – eu disse tentando forças para conseguir falar, respirava pra dentro e pra fora – a bolsa estourou! – continuava respirando da mesma forma. Taylor levantou-se rápido e me pegou no colo todos nos olhavam e disse.

Estourou a bolsa. – olhou em direção a meus pais – Preciso que peguem a mala dela no quarto.

Em menos de 30 minutos, eu já me encontrara na sala de cirurgia. Taylor, que estava ao meu lado, segurou minha mão. Eu olhei pra ele séria e disse.

Taylor você me ama? – perguntei em meio as dores fortes que eu sentia.

Claro meu amor! – ele segurou minha mão com mais força – Vai dar tudo certo! – ele sorriu nervoso.

Eu sei! – eu gritei para contrair a dor – Mas é que eu queria que minha mãe assistisse o parto. – eu gritei novamente

Tudo bem meu amor! – ele sorriu, deu um beijo na minha testa e antes de sair disse – Vou chamá-la, não vou sair de lá de fora está bem? – eu fiz um sim com a cabeça e ele largou minha mão e saiu. Antes de sair olhou pra trás, sorrindo, e, por fim, atravessou a porta. Alguns minutos depois, minha mãe entrava sorrindo feliz por poder me ver.

Após algumas horas, podem se ouvir do corredor da sala de cirurgia, choro de neném. Eu gritei que era um menino e que se chamaria Richard, fazendo todos lá fora ouvir também. Depois peguei-o no colo e beijei a testa tocando a linda mão pequena. Logo o levaram para o berçário. Depois de algum tempo, fui para o quarto e Taylor entrou enquanto eu cochilava. Abri os olhos e sorri pra ele que se aproximava com as mãos nas costas. Quando vê que eu estava acordada, ele se pronunciou.

Flores para a mãe mais linda desse mundo! – ele tirou as flores de trás e mostrou-as pra mim – Lindas com você! – se aproximou e me beijou a testa.

Você não existe! – disse sorrindo – Quero meu bebê, e meus filhos cadê? – perguntei a procura deles pra vê se não estavam atrás de Taylor.

Dona Amélia os levou pra casa. Está tarde demais! – ele sentou numa cadeira próxima a cama – Nasceu no mesmo dia dos outros! – e deu uma gargalhada.

Não tinha pensado nisso! – eu sorri – Mas hoje não é aniversário das crianças, fizemos a festa hoje. Mas pelo menos teremos somente uma festa de aniversário de criança pra organizar por ano! – eu comentei rindo.

***

E foi assim meus amores. – Gabi passou a mão na cabeça de Camille – A vida da mãe aqui foi complicada, mas graças a deus eu consegui mudar! – Gabi comentava com lagrimas nos olhos, Camilla a olhava admirada. Estava com 16 anos, já era uma mocinha e dessa história tirou uma lição de vida.

Mãe, me desculpe por duvidar do amor que tinha por nós! – disse levantando-se do chão e caminhou até a mãe – Agora eu entendo porque deixa a gente decidir o que realmente queremos! – e abraçou a mãe.

Eu quero que vocês aprendam por vocês mesmos! – Brian, Richard e George se levantaram também e a abraçaram. Logo apareceu Taylor na sala com seu cappuccino na mão. Estava uma noite fria como costumava sempre ser as noites de invernos em Tulsa. Ele se aproximou deles e beijou todos na testa e sua esposa em seus lábios como sempre costumava fazer.

FIM

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Underneath The Mirror – Uma FF curtinha eu sei, mas muito fofinha, pelo menos eu acho!

Gostaria de Agradecer a Renata, Lucy, Cris, Li e muitas outras fãs que me apóiam e me incentivam a escrever mais, e sempre de alguma coisa surgem umas idéias.

Obrigada por ler!

Comentem no GB o que acharam!

2 Responses to Underneath The Mirror

  1. Chorando rios, mares, oceanso!!!

    Linda, linda, linda!!

  2. says:

    Gostei do seu poder de síntese! Contou toda uma história de forma rápida, mas sem deixar nada de fora! Realmente fofa!!!

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